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Vencendo a obesidade

March 7, 2017

Os padrões sociais sobre a obesidade já variaram muito em relação temporal e cultural. Algumas culturas até pouco tempo valorizavam as pessoas obesas por motivo geográfico, onde a camada de gordura oferecia vantagens em regiões de frio inóspito ou pela crença que mulheres obesas eram melhores parideiras que as demais. Há ainda a fase histórica que “casta nobre” eram as pessoas mais valorizadas, que ficavam em casa, sem trabalho pesado e com a melhores refeições, sendo geralmente pessoas obesas e sem nenhum tom de bronzeamento na pele, diferenciando-os da “casta trabalhadora”, onde a refeição era racionada, com corpos esguios, musculosos e bronzeados.

 

Mas a nossa visão sobre obesidade é sobremaneira a visão imposta pelos padrões do atual período histórico, e sim em relação a saúde da população, com fatos científicos baseados em evidências clínicas.


Mas você sabe o que é obesidade?


A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo excesso e/ou desproporção na distribuição da gordura corporal.


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a obesidade vem crescendo em números alarmantes em todo o mundo. No Brasil, o excesso de peso saltou de 18,5% para 50.1% nos homens adultos e de 28.7% para 48% nas mulheres adultas nas últimas duas décadas. Em termos gerais, metade dos brasileiros adultos está acima do peso. 


Esses números são facilmente entendidos quando colocados no contesto do dinamismo da sociedade moderna que leva a necessidade da praticidade de preparo, associado a facilidade de acesso a alimentos industrializados, gerando um consumo de alimentos de alto valor energético, alta concentração de sódio, ricos em gordura e açúcar.


Não menos importante a questão da obesidade nas crianças, levando a projetos científicos relacionados a obesidade infantil, impulsionando a obesidade ao patamar de pandemia mundial.

A principal forma de medir a obesidade é pelo “índice de massa corpórea” (IMC ou índice de Quételet), uma fórmula simples, baseada no peso e altura,  que pode ser encontrada facilmente como calculadora nos sites de buscas da internet.


Consideramos normal um índice entre 18,5 e 25. Entre o índice 25,1 até o índice 29,9 é considerado sobrepeso e obeso acima de 30. Este índice não deve ser aplicado em crianças e não faz a diferenciação entre o acúmulo de peso por massa magra (hipertrofia muscular) e a gordura propriamente dita. Para fazer essa diferenciação pode-se abrir mão de um exame chamado de bioimpedanciometria, que gera o percentual de músculo/gordura.


Outra medida fácil e importante no auxílio da identificação da obesidade e principalmente avaliar o risco de complicações como doenças cardiovasculares e Diabetes tipo II, é a medida da circunferência abdominal. Considera-se aumentado entre 94 a 102 para homens e entre 80 a 88 para mulheres. 


Acima destes valores aumenta substancialmente o risco da Síndrome Plurimetabólica e Hipertensão arterial.


Mas qual o real problema da obesidade?


A obesidade, junto com o sedentarismo, fumo, hipertensão arterial, colesterol elevado e o diabetes, são os principais fatores de risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares seguido de morte súbita, que corresponde por 20% das mortes no Brasil.


Temos então uma reação em cadeia, no qual a obesidade piora outros fatores de risco, uma vez que o obeso tem tendência ao sedentarismo, alimenta-se mal, principalmente daqueles alimentos industrializados que tem alto teor de açúcar, gorduras e sal, que por sua vez pioram o diabetes, colesterol e aumentam a pressão arterial respectivamente, fechando o “Ciclo de maldades” ao coração.


Mas como tratar o obesidade?

 

Esse é um dos grandes motivos dessa doença tornar-se um problema mundial de saúde pública.
O tratamento não é fácil, é longo, multidisciplinar e sempre atrapalhado pelo imediatismo dos pacientes, que vê a necessidade de perder rápido aquele peso acumulado num período invariavelmente prolongado. Essa necessidade de “emagrecer” pro carnaval, para aquele casamento que será madrinha ou para o verão, ainda favorece o aparecimento tratamentos da moda ou da estação (Shakes, dieta da lua, do limão, da atriz XYZ, etc...), que prometem resultados milagrosos de perda de peso, que por vezes realmente ocorre porém não se sustentam, gerando o temido “efeito sanfona” e baixa adesão a tratamento eficazes.


O principal fator a ser trabalhado é o psicológico, onde o obeso precisa necessariamente admitir a necessidade da mudança definitiva dos hábitos alimentares e comportamental. 
Qualquer tipo de tratamento, seja o nutricional, o medicamentoso ou os restritivos (temporário ou definitivo), tem grande incidência de falência de tratamento se o fator psicoemocional não estiver fortemente sedimentado.


Outro fator fundamental na falha do tratamento é o erro de indicação do tipo de tratamento proposto ou idealizado, por exemplo lipoaspiração para emagrecer. Tratamento para excesso de peso é feito com tratamento nutricional e comportamental (dieta elaborada por nutricionista associada a exercício físico), medicações anorexígenas (inibidores do apetite) + exercício físico ou ainda, de forma mais invasiva, os métodos restritivos, seja temporário (balão intragástrico por endoscopia) ou definitivos (cirurgias bariátricas) também associada ao indispensável exercício físico.
Lipoaspiração e abdominoplastias tem sim indicação precisa, porém no tratamento da gordura localizada e no excesso de pele causado pela perda do peso.


Já sabemos que a célula gordurosa tem uma memória, semelhante a memória celular conferida pelas vacinas. A célula gordurosa com “memória obesa” é uma célula ávida a crescer (hipertrofiar-se), atraindo qualquer caloria ou gordurinha absorvida. Já a célula gordurosa com “memória magra” por sua vez é uma célula que reprime compulsoriamente seu crescimento.


Em termos práticos, para mudança da memória da célula gordurosa, depois de atingido o peso desejado, precisamos manter o equilíbrio da balança por um período de 1,0 kg perdido por mês, ou seja, se você perdeu 10 kg em 6 meses de tratamento para a obesidade, é necessário manter o peso adquirido por mais quatro meses (1 kg perdido por mês, perdendo 10 kg, é necessário a manutenção do peso por 10 meses, para a célula gordurosa mudar o status da sua memória), passando então a repelir até as calorias e gordurinhas dos deliciosos abusos alimentares de fim de ano ou de uma festa familiar importante.


Comer é bom, mas lembre-se, o que engorda é o que você come do ano novo ao natal e não do natal ao ano novo. Tome uma atitude,  conscientize-se, mexa-se, cuide do seu corpo, afinal você mora nele, porque o que importa é a vida!

 

Mantenha a sua saúde em dia, seu bem mais precioso. Procure o seu médico regularmente!

 

Dr. André Solera

CRM: 106.003

Médico Endoscopista e Cirurgião do Aparelho Digestivo.

Instrutor de ACLS do IPATRE.

 

 

 

 


 

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