Dor de estômago x Infarto do miocárdio

February 9, 2017

 A dor de estômago, também conhecida como epigastralgia (Principal componente da síndrome dispéptica), é uma doença de alta prevalência, porém, apenas pequena parte dos pacientes que sofrem dela procuram atenção médica. Tal afirmação toma relevância devido disposição anatômica, que confere íntima relação entre o estômago e o coração, separados por um fino músculo denominado diafragma.

 

Fica a questão se o paciente deve procurar avaliação médica para toda dor de estômago, e a resposta é um enorme e gigantesco SIM, pelo menos para uma avaliação inicial.
    

É óbvio que não queremos causar o pânico na população e esse sim respondido acima, será explicado de forma clara abaixo:

 - O primeiro fator (de importância tanto para médicos como para a população), é que pode-se tratar de uma manifestação cardíaca (Foto 1 e 2), como por exemplo, uma angina (dor torácica por doença das artérias do coração reduzindo o oxigênio ao músculo cardíaco) ou um infarto da parede inferior do coração, principalmente em indivíduos acima dos 45 anos ou antes em indivíduos com fatores de risco para doença cardíaca tais quais:


•    Histórico familiar
•    Hipertensão arterial
•    Tabagismo
•    Sedentarismo 
•    Obesidade
•    Diabetes 
•    Colesterol elevado
•    Outras patologias cardíacas


Mediante um ou mais desses fatores, sugere-se como boa prática, um bom exame físico cardiológico, um eletrocardiograma e exames de sangue para o coração, seguindo de encaminhamento para o consultório do cardiologista, mesmo com exames normais.


“Mas poxa vida doutor, essa dor de estômago é porque eu comi muito determinada comida” (uma carne de porco, uma feijoada, manga, churrasco, etc.), “certeza que foi esse abuso”. 


    Concordo em parte. Provavelmente deve mesmo ser uma dor causada por um abuso gastronômico e vamos resolver isso facilmente com um repouso e um bom antiácido em casa. Mas insisto na necessidade de uma avaliação, pois também não podemos esquecer que a própria digestão gera uma demanda maior de fluxo sanguíneo para o estômago, que por sua vez gera um aumento do trabalho do coração, e na impossibilidade de suprir a necessidade de oxigênio ao coração, podemos sim ter uma angina ou um infarto, justificando minha insistência.


- O segundo fator é que quando a causa é a própria síndrome dispéptica, seja ela de origem gástrica ou extra gástrica, tem a tendência de ser recorrente, ou seja, trazer episódios frequentes, desagradáveis e por vezes incapacitantes ao paciente, porém de tratamento relativamente barato e simples. 

 

Mantenha a sua saúde em dia, seu bem mais precioso. Procure o seu médico regularmente!

 

Dr. André Solera

CRM: 106.003

Médico Endoscopista e Cirurgião do Aparelho Digestivo.

Instrutor de ACLS do IPATRE.

 

 


 

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